• Marina Ferrari

As primeiras 24 horas do bebê - Parte 1

Updated: Apr 26, 2019

Somos mamíferos, seres ventrais! Se você já acompanhou o nascimento de filhotes de gatos e cães, deve ter percebido que eles permanecem no ventre da mãe. As patinhas massageiam as mamas da mãe para auxiliar a extração de leite. A mãe fica deitada, e (ufa!) descansa.

O contato pele-a-pele do binômio mãe-bebê tem funções de extrema importância para ambos, além de facilitar a amamentação e o vínculo, podemos destacar outras:

* Para o bebê:

- maior tranquilidade (bebê sente o cheiro da mãe e ouve seus batimentos cardíacos, sentindo-se seguro),

- batimentos cardíacos e frequência respiratória adequados,

- manutenção da temperatura (o corpo da mãe é uma incubadora natural).

* Para a mãe:

- menos dores (por causa da oxitocina endógena)

- menos risco de hemorragia (também pela oxitocina)

- segurança de ter o bebê consigo.

Esse é o trajeto natural de qualquer cria: de dentro do ventre para fora do ventre, mas ainda ao ventre!

Logo após o parto, dentro de 1 hora, é o 'timing' perfeito para que se dê oportunidade ao bebê de mamar. Quando o bebê é colocado ao ventre e não recebe interrupções, e lá mantido, ele:

- se acalma e para de chorar,

- descansa um pouco e logo se acorda,

- se torna mais ativo,

- rasteja em direção às mamas,

- descansa no meio do caminho,

- coloca a mão na boca, procura e massageia as mamas com as mãos,

- alcança o mamilo, abocanha-o, mama e

- dorme.


Segue um video (encurtadinho) demonstrando essas etapas:



É a chamada "hora dourada", pois o bebê está com os instintos olfativos, visuais e táteis bastante fortes para realizar todas essas "tarefas", que demoram de 60 a 90 minutos para serem executadas. Esse período pode ser mais extenso conforme a quantidade de intervenções que a mãe recebe durante o parto (como anestesia, analgesia e/ou líquido intravenoso), o que não inibe a amamentação, apenas atrasa (ou seja, o bebê precisa de ainda mais tempo).


Esse primeiro momento tem um papel significativo na manutenção da amamentação, pois a mãe cria confiança e segurança na capacidade do bebê mamar e na dela de amamentar.

Todo bebê que nasce saudável tem a capacidade de mamar após o parto, basta que a oportunidade seja dada.


Quer ler a continuação? Clique aqui.

Referências:

- WHO/UNICEF (1991; 2009)

- Widström et al - Newborn behaviour to locate the breast when skin-to-skin: a possible method for enabling early self-regulation. (2011)

© 2018 by Marina Ferrari

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